Cruzeiros: Taxas portuárias fazem temporada minguar no país

O Pier Mauá registrou na última temporada a passagem de 700 mil turistas pela cidade. Foto: Divulgação

O Pier Mauá registrou na última temporada a passagem de 700 mil turistas pela cidade. Foto: Divulgação

Por Mario Teixeira

 

Apesar de confirmarem que o país e um destino formidável e com grande demanda por cruzeiros marírimos, as empresas, que já haviam sinalizado a queda de oferta para a temporada 2013/2014 no início do ano, garantiram, em entrevista exclusiva ao Eu Ando pelo Mundo, que o setor irá minguar. Para o presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Matítimos (CLIA Abremar Brasil), Ricardo Amaral, os altos custos de operação e os impostos praticados no país estão transformando os cruzeiros internacionais mais interessantes, fazendo com que as companhias busquem novas alternativas de destinos. A Secretaria Especial de Portos não quis se pronunciar sobre a possibilidade de buscar um denominador comum que não prejudique ambas as partes.

 

Amaral alertou que o custo para a circulação de cruzeiros no Brasil pode ficar 35% ainda mais caro para as operadoras, que acabarão repassando esses valores ao cliente. Com isso, as companhias estão dando prioridade a roteiros de longa duração, de seis a nove noites, investindo nos mercados uruguaio e argentino, que estão crescendo. Apenas a demanda por Buenos Aires cresceu 27% nessa temporada. O Grupo Costa, que reúne a Costa Cruzeiros e Íbero Cruzeiros, decidiu que manterá investimento em portos emblemáticos, como Rio de Janeiro e Salvador, mas, segundo o diretor geral do grupo para a América do Sul, Renê Hermann, irá ampliar a presença na área do Rio da Prata, confirmando o crescimento de demanda nesses mercados.

 

Geração de empregos comprometida

Para o presidente da CLIA Abremar Brasil, o aumento do preço dos cruzeiros faz com que todos percam. Amaral lembra que a geração de postos de trabalho e a própria economia das cidades ficam prejudicadas. E, num mercado cada vez mais competitivo, enquanto o Brasil abre mão desse segmento, as companhias procuram por novos destinos na Ásia, Austrália e Caribe. O mercado de cruzeiros movimentou na temporada de 2010/2011 um incremento de R$ 1,4 bilhão, gerando mais de 20 mil empregos diretos e indiretos. A diminuição de atracações afeta não apenas as cidades escala, mas toda a movimentação das cidades do entorno também, que acabam oferecendo uma série de serviços complementares.

Amaral aponta os custos de operação e taxas portuárias como responsáveis pela diminuição dos cruzeiros. Foto: Ricardo Hara

Amaral aponta os custos de operação e taxas portuárias como

responsáveis pela diminuição dos cruzeiros. Foto: Ricardo Hara 

 

- No Brasil, por termos clima favorável o ano inteiro, hospitalidade do nosso povo, uma combinação de belezas históricas e naturais relevante. Somos um destino extremamente importante para a sazonalidade do inverno no hemisfério norte. O mundo de Cruzeiros Marítimos nos enxerga com grande potencial, porém também vê os problemas de infra e custo que existem. E, em alguns momentos, entraves burocráticos e operacionais que não existem em outros mercados - sem dúvida, a infra e os custos limitam muito nosso crescimento. Tanto que outros destinos estão ultrapassando o país. A Austrália cresceu 33% de 2010 para 2011, o que demonstra a perda de mercado do Brasil para outros destinos no hemisfério Sul - ressaltou Amaral.

 

Para ele, é importante estar sempre discutindo soluções para os gargalos do setor, pensando nas estratégias para a recuperação do mercado e a ampliação da oferta para a população. Amaral acredita que essas questões são essenciais para manter o setor em crescimento e garantir a qualificação e a abertura de novos postos de trabalho.

 

Sobre a utilização de navios de cruzeiro como hotéis nos grandes eventos que acontecerão no Brasil, em especial na Copa do Mundo e Olimpíadas, no Rio de Janeiro, Amaral disse que acha muito difícil que aconteça. Alguns motivos o levam a acreditar nisso, entre eles a falta de um contato efetivo do governo com as companhias, para uma avaliação mais concreta da possibilidade; períodos diferentes da temporada regular de cruzeiros; e a alta temporada no hemisfério Norte. As companhias armadoras desenham seus programas com grande antecedência, num mínimo de dois anos, estabelecendo seus compromissos com os clientes dos diversos mercados onde atuam. Portanto, Amaral admite que não será fácil deslocar navios para o Brasil em plena alta temporada européia de cruzeiros. O assunto exige ampla conversação do setor com o governo, o que ainda não aconteceu.

 

Grupo Costa investe em cruzeiros temáticos

A empresa mantém o mercado sul-americano como estratégico, trazendo para a região os navios mais modernos e investindo em cruzeiros temáticos. Para a futura temporada, onde comemora 20 anos de atividades ininterruptas no país, o Grupo Costa oferece quatro opções para o turista brasileiro: Bem Estar; Dançando a Bordo; Fitness; e Tango e Milonga. Os quatro acontecerão no navio Costa Fascinosa, que sairá apenas do porto de Santos. Para dar oportunidade a toda a população, eles oferecem um bônus aéreo no valor de R$ 315, melhorando a acessibilidade aos projetos.

Hermann diz que empresa comemora 20 anos no país com cruzeiros temáticos. Foto: Divulgação

Hermann diz que empresa comemora 20 anos no

país com cruzeiros temáticos. Foto: Divulgação

 

- Enquanto os cruzeiros Bem-Estar e Tango & Milonga visitam os destinos de Buenos Aires e Punta Del Este, os roteiros Dançando a Bordo e Fitness passam por Búzios, Salvador e Ilhabela. Eles contarão com ícones como os dançarinos Carlinhos de Jesus e Jaime Arôxa, a dançarina de tango argentina, Aurora Lubiz, as medalhistas olímpicas do vôlei Ana Moser e Ida Álvares e o árbitro de UFC e professor de judô, Mário Yamasaki. Ao longo de 20 anos, a Costa realizou 94 edições de cruzeiros temáticos em 15 navios diferentes, atingindo a marca de 219.141 passageiros transportados - explicou Hermann.

 

Ele espera que companhias de cruzeiro e governo possam sentar para discutir medidas de recuperação do mercado, que passariam, principalmente, por melhoria da infraestrutura portuária, estudos sobre custos de operação e taxação e a solução de entraves burocráticos. Hermann acha que é necessária uma política integrada de fomento de cruzeiros, para trazer resultados a curto prazo. Ele acredita que isso poderá fazer com que o Brasil volte ao quinto lugar no ranking de cruzeiristas, gere um melhor impacto econômico para seus destinos e chegue à marca de 1 milhão de passageiros transportados.

 

Pier Mauá trabalha para melhorar fluxo turístico

O Pier Mauá, principal porto de turismo marítimo de longo curso (internacional) da América Latina, recebendo 98% dos cruzeiros da região, garante que tem participado de reuniões nacionais e internacionais do setor, na busca de processos que possam aumentar o fluxo de cruzeiristas. Uma das ações apontadas para melhorar o atendimento ao turista é a construção de um novo terminal, mais moderno e confortável, capaz de atender a três milhões de turistas/ano. Apenas na última temporada passaram pelo Pier cerca de 700 mil turistas. Segundo dados do Pier Mauá, desde a primeiras temporada (1998/1999), o crescimento do fluxo turístico registrou 800%. As obras do novo terminal estão programadas para começar em 2014.

 

Essa é uma discussão que ocupou há algum tempo as manchetes dos principais jornais, caindo depois no esquecimento. O novo pier em Y, que será construído pela Companhia Docas do Rio de Janeiro, foi aplaudido no início e depois repudiado, por tirar a visibilidade do Museu do Amanhã, projeto do arquiteto espanhol Santiago Calatrava, que está sendo executado no antigo pier. A alegação é que os navios, cada vez maiores, acabarão tirando a visibilidade do museu. Docas e Prefeitura do Rio estão discutindo a transferência do projeto, que seria construído entre os armazéns 2 e 3, para a área entre os armazéns 6 e 7. Estão sendo feitos estudos de viabilidade técnica, uma vez que isso levaria a uma dragagem especial no local, e a avaliação da Secretaria da Casa Civil da Presidência da República. A Prefeitura do Rio se comprometeu a arcar com os custos extras para a transferência, apostando que esse seria um elemento importante em todo o processo de revitalização da região.

 

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