A Piñata e suas histórias

Por Mario Teixeira

A Piñata, também conhecida como Pichorra, é uma tradição da Península Ibérica que teve sua maior projeção nos países de língua espanhola, em especial no México. Em datas festivas religiosas, como o Dia de Reis – nesta segunda-feira, 6 de Janeiro –, festas de aniversário e grandes eventos nas cidades há uma proliferação desses artefatos, normalmente recheados de doces e brinquedos, que fazem a alegria das crianças.

Historicamente, a tradição chegou ao México com os conquistadores espanhóis, tendo se difundido a partir do antigo convento de San Agustín Acolman, nos arredores da cidade do México. Para divulgar a fé católica os frades franciscanos passaram a usar a Piñata com os jovens astecas, mostrando que a fé garante recompensas. Aos poucos os artefatos começaram a se espalhar pelas culturas indígenas.

Colorido representa as tentações a que o cristão está exposto

Metaforicamente, a Piñata é uma estrela de sete pontas, representando os sete pecados capitais – Ira, Gula, Avareza, Luxúria, Inveja, Soberba e Preguiça. O vivo colorido são as tentações que atraem a atenção do bom cristão. O artefato fica no alto e a criança tem os olhos vendados, como forma de mostrar que está confiando “cegamente” no seu coração para destruir o mal e conquistar as benesses do Céu. Com um bastão tem de acertar o brinquedo destruindo a Piñata.

CONVENTO DE ACOLMAN

O Convento de San Agustín Acolman, que teve sua construção iniciada em 1524, pelo frade franciscano Andrés de Olmos, sendo concluído em 1560, é uma joia arquitetônica do México e foi declarado Monumento Nacional em 1933. A igreja ocupa uma área de 1.054 metros quadrados e seus muros possuem uma altura de 21 metros. É hoje um dos monumentos que atrai turistas mexicanos e de todo o mundo.

Convento construído no século XVI guarda a história dos franciscanos na região e foi o local onde se iniciou a tradição da Piñata

Além da arquitetura, muito parecida com a de castelos europeus, o Convento de San Agustín guarda ainda uma rica coleção de painéis, pinturas e esculturas. Existe no mesmo espaço o Museu Virrenal, da Era Colonial, construído em 1925, que mostra cerca de 120 artefatos religiosos, além do modo de vida dos frades franciscanos na época da Colonização.

PIÑATA NO BRASIL

No Brasil a tradição instalou-se no Nordeste, mais precisamente nos estados da Bahia, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, chegando também ao Pará, na Região Norte. Com o nome de Quebra Pote ou Quebra Panela, a brincadeira restringiu-se ao período das festas juninas – Santo Antonio, São João e São Pedro. Ergue-se, normalmente, em um canto do arraial uma trave como de futebol, colocando o pote no meio. Ao contrário do que acontece no México, a brincadeira no Brasil é aberta a crianças, adolescentes e adultos, todos vendados ou com máscaras.

Tradição nas festas juninas do Brasil, principalmente no Nordeste e Norte do país

Dentro do pote no Brasil os organizadores colocam balas e doces, como no México, além de água e terra. Antigamente, junto com os doces, colocava-se um gato dentro do pote e o vencedor era aquele que conseguia quebrar o pote e pegar o gato. Entidades de proteção aos animais conseguiram barrar esse tipo de brincadeira, já que o taco usado para quebrar o pote, algumas vezes, acertava o animal, já assustado por estar preso numa vasilha pequena de barro.

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